vanessa's profileDevaneios De Vanessa PhotosBlogLists Tools Help

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    January 02

    Feliz ano velho...

    Férias de nós mesmos - ela esperava e as novidades nunca chegavam a tempo - ela estava como sempre esteve,sem a presença dele e mesmo assim com mil e uma coisas em sua cabeça insana.Eles continuariam sem dar o braço a torcer e nem mesmo a mão ou um dedo,eles talvez fossem obrigados a continuar separados - mesmo estando sempre um dentro dos pensamentos do outro - tudo seria normal se não fossem as doenças,a música,as drogas e os poemas;tudo os trazia perto de um novo vínculo com a morte,talvez isso e nada menos fosse um alicerce,se não uma forca.
     
    Novo ano e as pessoas velhas e até os amores e as amizades envelhecendo;nada como perceber a insignificância do tempo e a nossa decadência inevitável.
    May 07

    Simplesmente ir...

    Estava sentada e pensativa,quando resolveu simplesmente sair;pra onde não importava,sabia que queria alguém ao seu lado,mas já não importava também a companhia...Tudo o que quis foi fugir,ou recomeçar em terras estranhas,sair correndo,cantando,com a cara à brisa do mar,ou ao vento do deserto...
    Estava chorando quando tudo estava pra acontecer,já não tinha certezas e poderia fazer qualquer coisa só pra continuar viva.
    Estava nem triste,nem feliz,apenas flutuando em revertérios eternos,pagando preços altíssimos só por existir.Não havia mais paz.Não havia mais amor.
    Sim,ela descobrira que não estava vivendo nos anos 70 e que não havia ninguém no mundo capaz de compreendê-la;ela mesma já não se entendia...
    A única alternativa sem dor ou conflitos,era simplesmente ir... 
    April 01

    O lado bom da dor

    Tudo à contento em seu universo particular(fora o sangue nos pulmões,a falta de apetite e a apatia habituais...).Na maior parte dos dias não há mais dor ao acordar - ela conta - a dor já faz parte de si mesma,e nem isso impede que uma certa alegria de viver as vezes invada a janela do seu quarto como uma música do Legião...Tudo à seu favor e tudo contra suas viagens,ele mesmo não fala mais com ela,ela não liga.
    Ele se preocupa,ela compra outra fuga - nada nem ninguém pode dizer-lhe o que fazer e o que não fazer.
    Essa mania de estar sempre outsider...Ele talvez não entenda,mas ela sabe.Eles podem morrer,mas assim não estarão errados.Eles não precisam saber da verdade,mas sua alma é alimentada por ela.
    Nada do que fizerem será mais importante do que já haviam feito;todas as promessas,poemas e músicas,tudo valeria cada minuto perdido na embriaguez do ser,no amor e na dor...
    Perdida ela estava quando ele a abraçou - nada poderia significar mais,tudo mais seria apenas um esboço de um sonho vivido em uma penumbra,em uma margem,em um abismo - sim,ele estava lá quando ela pareceu não mais voltar.